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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sem sinônimo, saudade...


A saudade é um parasita da nossa fragilidade,
É o reboco do pensamento desocupado,
É a vítima que sempre queremos matar,
É um olhar distante, mas perto do coração.

A saudade sempre vem de carona com o tempo,
Sempre se anuncia com dor e inconveniência,
Sempre estaciona na vaga do deficiente,
Sempre presente, se maquia de outro momento.

A saudade sabe escolher bem a presa,
Ela cutuca de um lado e aparece do outro,
Ela não tem sexo, mas é chamada de “Ela”,
Sem sinônimo, ela sente falta de si mesma.

Sanntiago A.

Porto Alegre, 24 de Abril de 2012

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Introdução arcaica.

De onde vem essa paciência que desafia?
Cada talento tem seu poder.
Vamos torcer pro melhor?
Vamos esperar alguém ganhar?
Comodismo desbancando a personalidade,
Histórias de introdução arcaica,
Mesmice cantarolada pelo estrangeiro,
Culpa de quem só participou do ato.
Os passos contados conhecem o passado,
Não vivo sem música e prazer,
Desequilíbrio do comportamento tecnológico,
O que vemos é sentimento incolor...
Paciência é assistir um filme que não se gosta por algum motivo,
Difícil definir paciência entre estes mesmos,
Sistema nervoso desajustado ou consentido.
Palavra minúscula que se enxerga de longe.

Sanntiago A.

Porto Alegre, 14 de dezembro de 2011.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Nosso trato (Encontro às claras)

Ela vem de um lado da cidade,
Ele a segue a noite toda,
Tem apenas no olhar, o seu olhar,
Seu coração é um peixe hipnotizado.

Tamanha a coincidência de se gostar,
É a semelhança estranha entre o rio e o mar,
Acontecimentos precisos da vida,
Necessidade para os olhos do ego.

Evidência exata de querer e transformação,
Resultados só são obtidos depois das provas,
De amor, por favor, que horas são?
Estou exausto das mesmas histórias...

Que a verdade seja dita:
- Quanto mais ouço o que me dizem, mais acredito nelas...
Não estou exausto das histórias reais de quem me diz, e sim,
Da repetição humana em imitar o que se vê.

Sanntiago A.

Porto Alegre, 17 de Novembro de 2011.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Respeitável público.

Depois de ver seu olhar,
Com os pés segurando a borda de tudo,
Arregalo meus olhos pro lado,
Espicho a vontade em caprichos.

Não sei o que é melhor ou que é pior,
Mas sei o que quero e o que sinto...
Vontade de tudo atrapalha,
Desmente a razão...

Inveja também mata,
Querer não mata não...

Sanntiago A.

Porto Alegre, 13 de Dezembro de 2011.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

cansado


Por todos os lados encontro o destino,
E dizem que ele é pai das coisas,
Se existe esse tal destino,
Seu irmão deve ser a coincidência.

Vou fingir estar limpo pra convencer,
A vontade alheia é contra ponto,
É nudez proibida pra maiores,
Vício falso engarrafado.

Justiça seja feita certa,
Cooperação mútua,
Equilíbrio da massa,
Respeito necessário.

Sanntiago A.

Porto Alegre, 19 de Agosto de 2011.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Meia garrafa, razão duvidosa.


Bagunça silenciosa da solidão,
Caminhos destroçados pela emoção,
Pacificação relutante, áspera,
Equação moderna da juventude.
Momento letal, facultativo,
Alusão ao eu, pastilha de menta,
Alegoria disfarçada de alegria,
Êxtase de mãos erguidas...
Monumento esquivado da catedral,
Elemento cíclico irreal,
Quando a vontade reverencia o mal,
A deficiência do bondoso é culpada.

Sanntiago A.

Porto Alegre, 08 de Outubro de 2011.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Era uma vez

Alegria guardada em um frasco de passado,
Tanto querer, pouco gostar, nenhuma paixão,
Olhos atentos e nada mais,
Felicidade produzida em escassez.

Sentindo-me deslocado, ultrapassado,
Exagerado, esparramado, alucinado,
Derrotado, espatifado, ilhado...
Nada de paraíso, era Alcatraz.

Amiga bandida essa tal solidão,
Escolha certa quando restou apenas um,
Exatidão do tempo, atraso da paciência,
Início de uma história em era uma vez.

Sanntiago A.

Porto alegre, 15 de Setembro de 2011.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Lenta canção

Sabe aquele sentimento que se transforma em um choro que não sai?
Sabe aquela frase que tropeça em sua língua e fica presa em sua boca?
Sabe aquele dia que você tem mais confusão na mente do que dívidas?
Sabe aquela lembrança que estaciona em sua cabeça e desmente o presente?
Sabe aquele sussurro que sai do nada e assusta a si mesmo?
Sabe aquela lenta canção que dança e seu coração dispara?
Sabe aquele filme que você olha mil vezes e lembra apenas de uma pessoa?
Sabe aquela vontade de ficar dormindo o dia todo, mas acompanhado?
Sabe aquele, que aquela vez se fez presente em sua vida?
Continua com aquele sorriso tímido quando lembra do teu!

Sanntiago A.

Porto Alegre, 23 de Setembro de 2011.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nos braços da felicidade!


Ventos que sopram teus cabelos,
Descobrem teus pensamentos,
E levam folhas sem direção.
Chuvas que tentam atrapalhar,
Nossos planos, nossos enganos, sem deixar
O destino nos dar atenção.
Fico aqui tentando entender,
Como posso ter o que não posso,
Pois sei que não posso, não posso...
As crianças dançam uma música invisível,
Onde só elas entendem e sentem,
Os pássaros cantam por qualquer motivo,
Onde só elas entedem e sentem.
Queria ver outra vez as falenas,
Que enfeitavam os jardins,
Sabiam encantar sem esforço algum.
Tento ver com outros olhos a beleza do mundo,
Sentir o perfume das flores,
E dormir nos braços da felicidade.

Sanntiago A.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Embriagado


Os caminhos por onde ando são confusos,
Pensamentos que caminham em lágrimas,
Verdades viradas do avesso,
Gritos manchados de silêncio,
E uma vontade de ficar sóbrio.
As máquinas criam flores,
E os jardins embriagados de medo somem.
As coisas são assim mesmo,
temos que nos acostumar,
Ontem vi a realidade ser generosa,
E os sonhos escaparem de meus dedos,
E quando minha sombra chegou na frente,
Já estava na hora de voltar.

Sanntiago A.

Me dê atenção


No momento estou aqui,
Sem ter pra onde ir,
Sem ter onde chegar,
Não sei pra onde vou,
Mas sei que vou me atrasar.
Estou imóvel,
Locomovendo-me em pensamentos,
Sentindo o cheiro de bons momentos,
Hoje estive aí,
E você nem notou.
Hoje estou mais velho,
Homenagens pra que?
Vim aqui só pra te ver.
O ar está diferente,
Tudo está diferente,
Você já não é a mesma.
As mudanças sinto,
Em tudo que vejo,
E que posso tocar,
Mas não me esquecerei,
Do seu olhar.

Sanntiago A.

Gravataí, 14 de Setembro de 1999.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Paz interior

O caminhar do jovem é despachado,
Igual suas roupas, que difere da personalidade,
Sabedoria estendida que se vê o fim,
Tão indefinido como qualquer plural.
Ela deixou de conhecê-lo, porque seu traseiro é bonito,
Estética implantada todos os dias,
Quando saímos pra rua, saímos por quê?
Por causa do sol ou pelo movimento das pessoas?
Talvez o calorzinho apenas me atraiu primeiro.
Todo o homem tem um vício,
Seja ele nocivo ou não,
Seja ele momentâneo ou não...
Enquanto os passarinhos se banham em diversão,
Minha imaginação já é desafio pra mim mesmo.

Sanntiago A.

Gravataí, 27 de Agosto de 2011.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Não ame.

Quem ainda não sabe,
Que amar é fácil demais,
Não tem como dizer,
E nem como explicar.

Amar demais se torna doença,
Que não tem como controlar,
Não existe remédio,
Capaz de destruir ou prorrogar.

Então não ame demais,
Ou talvez nem ame,
Ame só a si mesmo,
E mesmo assim o coração te trai.

Não tem como fugir,
Não tem como evitar,
Hoje você está feliz,
Amanhã você pode chorar.

Chorar por um amor,
Que você seria capaz de morrer,
Não adianta fugir,
O amor vai te conhecer.

Sanntiago A.

Gravataí, 06 de Setembro de 2000.

Saudade da saudade

A saudade que sinto por você,
É como o ar,
Posso sentir,
Mas não posso tocar.
Se minhas mãos,
Sentisse a saudade,
Eu lançaria no mar,
Lançaria sem piedade
E derrepente...
Sentiria saudade da saudade,
Porque minha saudade
É só você.

Sanntiago A.

Gravataí, 08 de Outubro de 2001

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Datilografia sem princípios


O poder baseado em dinheiro é pesado como ouro,
Mas leve como a mentira ingerida depois das oito,
É papel picado pra festejar a minha impaciência,
É sino badalando as seis e dois da tarde.
É criatura esquisita com toque de beleza diferente,
Oribundo ao nome que se dá,
Pena que você não tem idéia de tudo isso,
Me da só mais dois minutos que te dou mais três horas de prazer.
Você foi embora abanando para o sol e rindo da noite passada.
Soube culpar alguém inventando sua própria versão da história,
Não fez caso algum na hora do julgamento,
E aquilo prometido foi visto por alguém,
Nem mesmo sua moldura na praça da cidade.
Para todas as coisas que se tem,
Só algumas podem sentir teu querer,
A outra parte se aproxima da solidão pegando em sua mão.

Santiago A.

Porto Alegre, 06 de Maio de 2010.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Amargo!


Através dos sons ouvimos o gosto,
Descascamos o oposto,
Subimos nas escadas do tom,
Descemos meio tom.
Endiabrado ele escolhe o copo maior,
Menor foi à perspectiva,
Como foi embora jovem, sorriu!
Diz-me agora o que ganhou com isso?
Bravura de um tempo que passou,
Sentimento de excelência...


Sanntiago A.


Porto Alegre, 27 de Janeiro de 2011.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Queria...


Ter o poder de poder...
Ser o que sou sendo...
Me debruçar na realidade...
Aplaudir tudo isso...
Tranformar esse barro seco...
Descansar na sombra dos teus ombros...
Sentir a água que sempre fala em despedida...
Deslizar na ternura da tua face....
Medir a quantidade de desejo...
Esvaziar meu cantil de ansiedade...
Devolver os erros ao passado...
Saltar abraçado no impossível...
Trabalhar meu lado vadio...
Surpreender novamente alguém...
Comprar novos velhos discos...
Salpicar a parede das decisões...
Encontrar sem procurar...
Guiar os passos do escuro olhar...

Sanntiago A.

Gravataí, 14 de Março de 2009.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Inotável


Reparticionando forças iguais,
Lembrei do meu eu, coisas astrais,
Sei que teu tempo dá risadas do meu,
Pelo menos o que penso dorme em feriu.

Artista criança ou em cima do altar,
Dois lados pensantes de gaguejar,
Uma menina bonita falando em saudade,
O passado mordido desiste, futuro.

Sanntiago A.

Porto Alegre , 17 de Setembro de 2010.

O ventríloquo não me diz.


Fechei a tranca da consciência que me apontava coisas,
Nossa! Esse ventilador pode estar com a hélice falante,
Tudo precoce que esconde retratos de estante,
Nua é a beleza daquela corajosa que se foi.

Tranquilamente, falo tudo que penso,
Mas aquilo que me prende aqui está me destruindo,
O que se faz com o destino que se inventa?
Troco um punhado de destino por um minuto de lembrança.

Levei coices do passado,
Levei pro outro lado do rio minha decência,
Respirei fundo o ar que condizia com a minha falta,
Tenho em mim agora uma vontade de dormir.

Cansado de caminhar nas ruas das placas pare,
Segui adiante e deixei pra trás o que eu via,
Toda a mediocridade em gesso,
Agora é uma estátua idolatrada pelo cego.

Sanntiago A.

Porto Alegre, 18 de Novembro de 2010.

Perguntas de chocolate


Toda a prática exercida em prol da satisfação,
Pessoal, egoísta, nada altruísta,
Gestos delicados lentos desejam,
Da mesma forma que o corpo descontrolado.

Mera coincidência que escapou aos olhos,
Percebi, será que você também?
Acho que não, você pensa ainda em alguém,
Respostas de baunilha e perguntas de chocolate.

Toda forma expressa em traços desenhados,
Um sorriso teu vem e me abraça,
Teu carinho é “forma” de gelo,
E tua calma me assusta e me afoba.

Tua cura vem depois que se prevê o que se vem,
Nada tem tanta definição quanto uma pergunta,
Ironia sim eu sei, mas é assim que se descobre,
As coisas que se tem toda vida ao seu lado.


Sanntiago A.


Porto Alegre, 25 de Setembro de 2010.